Nzinga, a rainha guerreira filha de escrava

terça-feira, 8 de março de 2011

NzingaMorei por grande parte de minha infância em Angola. Naquela época via várias estátuas e homenagens a uma guerreira cuja história infelizmente não conheci a fundo. A rainha Nzinga Mbandi possui uma biografia contraditória, mas de maneira nenhuma menos impressionante.

 

Apesar de ser filha do rei com uma escrava ela tinha o título real, que na língua quimbundo era Ngola. Seu pai a preparou para ser rainha e lhe suceder, mas quando ele morreu seu irmão, Kia Mbandi, puxou-lhe o tapete e assumiu o poder, chegando inclusive a mandar matar o filho de Nzinga por considerá-lo um concorrente ao trono.

 

A disputa pelo poder entre os irmãos era forte, mas haviam preocupações maiores como a invasão portuguesa. Após diversas batalhas, com perdas para ambos os lados, Kia precisava de alguém a altura para negociar a paz com os invasores. Para a tarefa chamou a irmã, que seguiu para Luanda, onde foi recebida com tapetes cobrindo seu trajeto, salva de canhões e soldados perfilados.

 

Criada para ser uma rainha, Nzinga não gostou de ver que no local onde seriam feitas as negociações só havia uma cadeira para o governador, sobrando para ela e todos os outros apenas almofadas no chão. Imediatamente mandou uma escrava se ajoelhar para servir-lhe de cadeira, não permitindo ser considerada inferior. Como seu objetivo ali era conseguir a paz ela se converteu ao catolicismo adotando o nome Ana de Sousa. 

nzinga sentada na escrava

Posteriormente seu irmão faleceu. Alguns afirmam que ela o envenenou com a ajuda dos portugueses como vingança pelo assassinato de seu filho. Agora rainha, ela fez uma aliança perigosa com uma tribo rival, os guerreiros Jagas, desposando seu líder.

 

Para conquistar o respeito dos Jagas ela precisou adotar alguns hábitos deste povo como o canibalismo. Ela não gostava de ser considerada inferior por ser uma mulher e liderava seus homens e várias batalhas pessoalmente, além de exigir que lhe chamassem de rei. Alguns dizem que em certos rituais ela mandava seus inúmeros amantes vestirem-se como mulheres, enquanto ela trajava roupas masculinas. Nzinga era conhecida por subverter tradições como forma de reafirmar seu poder em uma sociedade machista.

 

A paz não durou muito tempo e ela viveu grandes batalhas contra os portugueses. Também foi traída pelos Jagas, mas conseguiu uma importante aliança com os holandeses, conseguindo conquistar Luanda, capital do país, por 7 anos (1641-1648). Em 1659 ela assinou um novo tratado de paz com os portugueses.

 

Apesar de lutar contra a escravidão de seu povo, a rainha vendeu muitos escravos (inimigos derrotados) para os portugueses e muitos deles vieram parar no Brasil.

 

nzinga estatuaNzinga morreu em 1663, aos 80 anos e foi só então que Portugal conseguiu a dominação do território. Durante todo o seu reinado ela conseguiu manter a independência, mas após sua morte 7 mil soldados da rainha foram levados para o Brasil e vendidos como escravos. Mesmo assim Portugal só conseguiu controlar totalmente toda a região no século XX.

 

Mesmo tendo algumas atitudes que podem ser consideradas cruéis, Nzinga foi uma mulher a frente de seu tempo, não permitindo que a considerassem inferior e mostrando grande habilidade de comando, sendo guerreira e astuta. Curiosamente os portugueses usaram o título real na língua quimbundo para batizar o país (Ngola…Angola).

 

Fontes: Super, UFCG, Wikipédia

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails

  © Free Blogger Templates Columnus by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP  

Google+