A anorexia é mais antiga do que você pensa

sábado, 8 de maio de 2010

anorexia-nervosa-model Podemos dizer que a sociedade atual exerce bastante pressão sobre as mulheres para que sejam muito magras. As principais modelos, várias atrizes de sucesso e pessoas famosas possuem um corpo extremamente magro. Quando alguma delas é flagrada por um fotógrafo com uma celulitezinha ou com uma barriguinha todo mundo cai matando.

 

Não impressiona que muitas meninas e mulheres se recusem a comer até serem encaixadas no quadro clínico da anorexia nervosa. Para quem não sabe este transtorno alimentar é caracterizado pela grande perda de peso à custa de dietas auto-impostas, busca desesperada pela magreza e distorção da auto imagem.

 

Se você pensa que este tipo de comportamento é atual e causado pela mídia saiba que comportamentos semelhantes já foram registrados há séculos.

anorexia biquini

No século XIX algumas mulheres tinham a doença verde, também conhecida como clorose. Os sintomas eram palidez, fraqueza, cansaço, irritabilidade, constipação, irregularidade menstrual e repulsa à comida, principalmente às carnes, além de um pronunciado emagrecimento. Foi uma verdadeira epidemia nos EUA, França e Inglaterra até a década de 1920. Diversos autores acreditam que a clorose e a anorexia nervosa sejam condições análogas da mesma psicopatologia.

 

Em 1554 Johannes Lange descreveu a clorose como a “doença das virgens” ao descrever o caso de Ana. O pai dela queria casá-la de qualquer forma, mas não conseguia por sua aparência pálida e emagrecida. O autor acreditava que a cura para a clorose era o casamento, o intercurso sexual e a maternidade (nesta ordem).

 

Catarina de Siena Outro “surto” de anorexia aconteceu durante a Idade Média com o surgimento das santas jejuadoras. Acredita-se que com o crescimento do cristianismo a visão da divindade passou a ser mais magra. A gula passou a ser um pecado capital e logicamente fazer jejum levava a pessoa a um ponto mais próximo de deus.

 

Assim como hoje uma mulher magra pode se achar mais próxima do padrão da “perfeição”, naquela época fazer um jejum auto-imposto trazia vantagens como negligenciar seus deveres e/ou exercer controle sobre outros, barganhar por abstinência sexual com seu marido, rejeitar um casamento indesejado ou rogar por membros da família. Estas santas jejuadoras conseguiam passar por cima da autoridade dos homens da Igreja.

 

Neste contexto surgiram figuras como Santa Liduina, que comia apenas um pedaço de maçã por dia, Santa Wilgefortis (do latim Virgo fortis, "virgem forte"), que rejeitava os alimentos oferecidos, fazia jejuns e vomitava o que era obrigada a ingerir, Santa Colomba de Rieti, que morreu por desnutrição severa auto-imposta e Santa Verônica, que não ingeria alimento algum, exceto às sextas-feiras, dia em que permitia-se mastigar cinco sementes de laranja em nome das cinco feridas de Jesus.

 

Santa Liduina

Estas são apenas algumas histórias das santas anoréxicas que povoaram a Idade Média. Isso é uma prova que mulheres se forçam a manter um nível de magreza extremo há muito mais tempo do que pensamos ao ver casos do dia a dia. O importante é estar atento a pessoas que conhecemos e com quem nos preocupamos. É preciso ver sinais de que este transtorno está acontecendo para que um tratamento seja feito.

 

Geralmente o tratamento envolve médicos de diferentes especialidades como psiquiatra, psicólogo, clínico e nutricionista. O objetivo é a recuperação do peso através da reeducação alimentar e do apoio psicológico. O quadro de anorexia nervosa não possui medicação específica indicada. Em casos onde a recuperação do peso causa depressão as vezes é indicado o uso de antidepressivos.

 

Uma boa forma de mudar este quadro seria uma mudança no comportamento da nossa sociedade, mas acho que aí estou pedindo demais.

 

Fontes: Revista de Psiquiatria do RS, Revista de Psiquiatria Clínica, ABC da Saúde

16 comentários:

lucivane 10 de maio de 2010 15:21  

Muito bem escrito e informativo o artigo. Nunca tinha pensado nas santas jejuadoras como anorexas. E deixa claro que por um motivo ou outro mulheres submetem-se (involuntariamente) as pressões sociais da época.
Parabéns
Vane

Dmitry 10 de maio de 2010 17:50  

O que acho foda é a existência destas pressões sociais nas mulheres.

Obrigado pela visita.

Hugo 12 de maio de 2010 14:33  

De uma maneira ou de outra, não importa a epoca sempre tem gene com problemas querendo aparecer, o pior é saber q (num grau diferente claro) essas problematicas eram e sao apreciadas seja como divindade ou modelo de beleza... O ser humano é estranho Oo

Otimo artigo ^^

Hugo 12 de maio de 2010 14:37  

De uma maneira ou de outra, não importa a epoca sempre tem gene com problemas querendo aparecer, o pior é saber q (num grau diferente claro) essas problematicas eram e sao apreciadas seja como divindade ou modelo de beleza... O ser humano é estranho Oo

Otimo artigo ^^

Natasha 12 de maio de 2010 23:30  

muito bom, nunca pensei em ligar a anorexia a o jejum dessas beatas heauheau

Pat 1 de julho de 2010 08:55  

O problema não está na alimentação, mas na idéia do ser humano se auto-flagelar. O ser humano tem medo de ter felicidade. Como assim? Não importa se um grupo de pessoas está numa cidade super globalizada ou num canto numa floresta, totalmente isolados. Buscam idealizar a idéia de um deus, pois é necessário haver alguém superior a eles. E depois começam a colocar várias e várias regras, cada vez mais no intuito de se reprimir. Ou não pode ter prazer comendo, ou não se pode ter prazer fazendo sexo, e etc. Ainda não descobri pq o ser humano acha que não tem o direito de ter prazer absoluto, mas é a base de tantas regras.

Marin 1 de julho de 2010 09:21  

Comparar a situação atual sobre esta patologia (psicopatologia) com a situação existente na Idade Média é um grave anacronismo, por ser a anorexia uma patologia psíquica ela de fato está relacionada com o social, porém seria cometer o mesmo erro de Marx em acreditar analizar toda a sociedade com um problema social atual (anacronismo. Os fatores que levaram as Santas Jejuadoras a jejuarem são opostos ao comportamento da sociedade hodierna.

Professor Marin

Monikita 1 de julho de 2010 10:09  

O artigo é bem escrito, mas tem um erro de português: "HÁ MUITO MAIS TEMPO" é o correto, e não "a muito mais tempo" como postaram.

Abraço!

Alice Adocicada 1 de julho de 2010 11:21  

(HÁ MUITO MAIS TEMPO" é o correto, e não "a muito mais tempo" como postaram.)
Não é só erro ortográfico que vocês cometeram, como também cometeram o erro da generalização e como o professor Marin tb manifestou o grave erro de Marx. Não se deve comparar elementos de fé espiritual com os psiquiátricos. Claro, que no tempo atual de Lady GaGa, e outras balelas mais, o jejum tenha perdido o sentido. Mas isso não diz respeito às opiniões contrárias por questões preconceituosas, e exige sim, um estudo mais maduro e centrado, do que a de uma reportagem já manjada relatando casos anorexicos com os das santas. Mas, cada um faz do seu trabalho o que quer, mesmo que não seja criativo, e mesmo que seja a tão visadaaa divergência nas crenças religiosas, e zombarias médicas. Vemos protestantes abdicar de mtas coisas também, vemos os budistas que tb entram em severos jejuns, vemos os hindus que fazem sacrifícios diversos, dentre tantos exemplos que eu poderia citar, mas é sempre preciso falar da igreja católica. Ela encomoda tanto vocês não é? Já vi matérias menos apelativas e que retrataram a anorexia com mais seriedade.

Marcos 1 de julho de 2010 12:56  

Por favor, leia algum livro sobre argumentação e lógica, para não passarem por vergonhas como essa.
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Existem várias falácias nessa comparação. O ideal de magreza na sociedade moderna NÃO TEM relação com o jejum de santos na Idade Média. Ignoratio Elenchi: não é porque agora busca-se comer pouco, e antigamente buscava-se o jejum, que ambos são problemas de anorexia.
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Falácia non sequitur: A gula passou a ser um pecado capital e logicamente fazer jejum levava a pessoa a um ponto mais próximo de deus. Comer demais é pecado, logo deve-se fazer jejum. Esse raciocínio e uma tremenda asneira! O jejum é mortificação, não tem relação com a gula. Aprenda o que a Igreja ensina, se quer criticá-la, para não cair nessas asneiras.
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Aliás, os exemplos citados e as afirmações feitas SEM FONTES não podem ser usados para dizer que "houve um surto de jejum na idade Média". O máximo que os livros sérios (como A Filosofia na Idade Média, de Étienne Gilson) afirmam foi a ocorrência de surtos de mortificação corporal das seitas gnósticas, como os cátaros.
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Não obstante a falta de fontes, você cai ainda nas falácias lógicas da falsa indução, aplicando alguns casos a toda uma sociedade(e alguns casos falsos, Santa Verónica viveu na mesma época de Cristo, quase não existem dados sobre ela, muito menos algum possível jejum que fazia, e Santa Wilgefortis morreu crucificada, NÃO É da Idade Méida, e a BEATA Columba não tem histórico de jejum - veja ao menos a wikipédia antes de falar asneiras).
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De qualquer forma, sim muitos santos, desde o início do cristianismo até hoje praticaram o jejum, assim como outras práticas de mortificação, mas de forma alguma isso tem qualquer relação com a anorexia moderna. Se você pensar bem, ou melhor, se você pensar, a anorexia hodierna é contrária ao Cristianismo. A anorexia advém de uma cultura de culpo ao corpo, enquanto o jejum advém do culto a Deus.
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In fine, repito o que já foi dito, a Igreja incomoda-os tanto, não? sem nem vocês por ela serem afetados. Curioso.

Anônimo 1 de julho de 2010 17:00  

Acho cômico que os gênios todos são católicos e se ofenderam por motivos religiosos. Ora, é claro que Incomoda (encomoda foi demais...)a religião católica no Brasil, afinal infelizmente nosso Estado passa longe do laico. É a religião oficial, e ainda relativamente intocável. Enquanto é modinha ofender os evangélicos e menosprezar seus pastores e igrejas, quando se fala qualquer coisa do catolicismo sempre gera indignação.
Quanto à comparação, acho que antigamente a mulher ser fanática religiosa era sinônimo de valorização, agora ser fanática pela estética é o correspondente. Umas não comiam para demonstrar a "excelência" de sua pureza, outras não comem para demonstrar a "elevada" forma física. Doença nos dois casos.
Curioso é o seguinte: se o sujeito diz que ouve vozes misteriosas e conversa com seres invisíveis, ele é tratado como louco. Basta dizer que os fantasminhas são deus e está tudo normal. Façam-me o favor...

Anônimo 2 de julho de 2010 08:23  

Me desculpa mas se os católicos se incomodaram ou não, pelo menos se trata de um assunto que diz respeito à nós, católicos. Pior é quem não é e se incomoda a tal ponto de postar de forma estressadíssima e enlouquecedora, como é o seu caso. Se alguém acha que os santos eram anoréxicos que pesquisem pelo menos os dados corretos p/postarem numa matéria. Intocáveis?rs..acho que não hein...Sempre fomos tão perseguidos e quantas vezes assassinados!Por culpa de pessoas como você, que não respeita a crença individual de cada um. "Modinha ofender evangélicos"?...hummm agora entendi. Como tem "crentes" q gostam de usar Deus pra fazer guerra. Vc acha doença o jejum? Vc nem sabe o que é isso meu filho...Mas voce n acha doença o fanatismo, não é mesmo?Vcs fazem verdadeiro terrorismo na vida de qqer pessoa que não seja crente. Faça-nos o favor de comentários tão vazios e infantis. Se vc se acha melhor que as outras pessoas, parabéns pra você, mas o assunto aqui é sobre a veracidade da matéria, e em relação à intenção que é totalmetne questionável, quando, o assunto não diz respeito à vocês, evangélicos. Não se incomode tanto assim com a gente. Tudo de bom pra você.PS: ahh! fica com Deus.

Anônimo 8 de setembro de 2010 11:34  

O que está sendo discutido é anorexia ou religião??

Anônimo 8 de setembro de 2010 11:35  

Quanta intolerância!!!

Anônimo 8 de setembro de 2010 11:58  

O que ta sendo discutido bastar ler na matéria: anorexia e religião.

rachel 15 de junho de 2011 01:25  

Enfim uma boa materia garimpada no yahoo! parabens pelo post!

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