Crack passa a ser tratado como epidemia

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

crack O poder do crack em viciar já seria suficiente para inundar qualquer grande centro urbano de viciados, mas o baixo custo da pedra (que pode ser encontrada por até um Real) fez o problema se tornar maior ainda. As autoridades do estado da Bahia estão começando a tratar o problema como uma epidemia.

 

Até o ano de 2008 trabalhei no centro histórico de Salvador, um lugar lindo e com muitas oportunidades para o turismo. O problema é que com o passar dos anos vi a quantidade de moradores de rua viciados em crack aumentando. Com o tempo ele nem mais se escondiam para consumir a droga. Atualmente quando vou ao Pelourinho me impressiono com o número ainda maior de pessoas comprando a pedra e a consumindo, em plena luz do dia e sem se preocupar com quem estivesse vendo.

 

Logicamente estas pessoas não têm  como pagar pelo seu vício, por isso vivem de esmolas e de pequenos furtos. Clarindo Silva, dono do tradicional restaurante Cantina da Lua, afirma que eles vendem até latas de leite e refeições doadas pelas pessoas para comprar pedras de crack. O comerciante, que está no Pelourinho há mais de 55 anos, viu como a situação piorou e conhece diversas histórias de perto. São casos trágicos que precisam de ajuda, mas pouco anda sendo feito neste sentido.

 

O crescimento no número de viciados se reflete nos alarmantes números da violência na capital baiana. Dos 1.577 assassinatos e latrocínios registrados na Bahia em 2009, 85% foram provocados pelo tráfico de drogas. No ano passado 2.526 adolescentes foram atendidos por prática de delitos em Salvador. Deles, 467 praticaram delitos diretamente ligados às drogas (como porte e tráfico) e 80% se declararam viciados. Uma triste realidade para uma cidade tão bela.

crack crianca

O governo do estado vai lançar na próxima sexta-feira o Plano Operativo Tripartite do Ministério da Justiça como esperança para resolução do problema. Este plano está sendo executado no Distrito Federal, em Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Vitória. O programa é dividido em três partes. A primeira, que já está em andamento, pretende unir os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para garantir a implementação das ações. A segunda é a capacitação de um total de 25 mil profissionais “potencialmente influentes em suas comunidades  para atuar como multiplicadores de informação”. Na terceira etapa será feito o tratamento e a reinserção social, onde haverá a identificação e otimização da rede de serviços já existente para o tratamento do usuário de drogas.

 

crack pelourinho A Universidade Federal da Bahia irá implantar o Instituto de Saúde Coletiva dos cursos de Especialização em Drogas e Mestrado em Drogas. A Universidade já atua com consultórios de rua, que anda tendo bons resultados e terá suporte do governo do estado. Também serão criados centros de atendimento psicossocial, onde também haverá a possibilidade de internamento por até 17 dias para desintoxicação.

 

A verba do governo federal é de R$ 94 milhões, onde R$ 9 milhões serão destinados à Bahia no prazo de dois anos. O governo do estado entra com R$ 638 mil e as prefeituras de Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas e Simões Filho também participarão financeiramente do plano.

 

Resta saber se o plano conseguirá diminuir significativamente o número de pessoas viciadas em drogas na capital baiana, pois o apelo do tráfico e a facilidade em se entrar nesse mundo, seja como viciado ou como “soldado”, são combatentes pesados. Pessoalmente acredito que a mobilização dos três poderes é ótima, mas o plano não me parece muito forte para um problema tão grande. É esperar para ver.

 

Fonte: Reportagem de Biaggio Talento e Tássia Correia no Jornal A Tarde de 31/01/2010

3 comentários:

Eloi 3 de fevereiro de 2010 16:02  

Antes tarde do nunca!

vanessa 19 de abril de 2010 17:48  

É muito importante que tenham uma atenção maior para esse problema. Pois so aumenta o numero de vidas e familias destruídas por causa dessa drgoa! As autoridades tem que dar mais importância a isso, aliás chegou a esse ponto porque antes ninguém deu importância, ninguém fez nada pra acabar com essa droga e hoje ta aí como ta. O governo devia disponibilar verba para construção de casas de recuperação e inserção social!

Anônimo 16 de março de 2012 06:59  

Marlene

Eu concordo com Eloi, Precisamos nos movimentar contra esse grande inimigo das familias.

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