Conspiração, espionagem industrial e intriga no caso Google x China

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

google china Muito tem sido dito sobre as ameaças do Google de encerrar suas atividades na China, mas a cada novo detalhe que aparece uma trama semelhante às dos livros de espionagem toma forma.

 

No dia 12 de janeiro o Google afirmou através de seu blog oficial que não iria mais censurar as pesquisas realizadas em seu site na China. O motivo teria sido um ataque a contas do Gmail pertencentes a ativistas ligados a movimentos de direitos humanos. Esta declaração criou uma avalanche de notícias e opiniões diversas sobre o tema, pois não censurar as pesquisas significava desafiar o governo chinês e possivelmente fechar a filial da empresa naquele país.

 

O Google começou a investigar os acontecimentos e as coisas foram ficando mais interessantes. Os ataques começaram por volta do dia 15 de dezembro e se intensificaram no período entre as festas de natal e ano novo, quando menos gente está trabalhando. A operação Aurora (nome dado pelos hackers e descoberto pela McAfee) foi finalizada no dia 4 de janeiro, quando os servidores ligados aos mlawares utilizados pelos hackers foram desligados.

 

hacker2 A investigação sobre os ataques indicou que os alvos não eram apenas ativistas pelos direitos humanos e sim a propriedade intelectual de empresas ligadas aos setores de tecnologia, defesa e finanças. Acredita-se que pelo menos 34 empresas tenham sofrido o mesmo tipo de invasão.

 

Pouco depois do anúncio feito pelo Google, a Adobe declarou ter sofrido o mesmo tipo de ataque. Investigações particulares apontaram que empresas como Yahoo, Symantec (fabricante do Norton), Northrop Grumman (empresa especializada em segurança global, com vários contratos militares), Dow (produtos químicos) e Juniper Networks (redes de computadores e investigações de ataques a redes) foram vítimas da mesmo ação. No caso do Google eles estavam atrás de códigos-fonte e materiais de propriedade intelectual, acredita-se que nos outros casos o objetivo era o mesmo.

 

hacker Para realizar este ataque os hackers se aproveitaram de uma brecha no Internet Explorer 6 (que está presente em todas as versões do navegador). A Microsoft confirmou o defeito e já prometeu um patch para corrigi-lo. Acredita-se que arquivos em PDF infectados também tenham sido usados.

 

A empresa aponta que tudo teve início com a instalação de malwares que foram transmitidos via e-mail. O uso da engenharia social foi decisivo para que o ataque tivesse sucesso, mas o Google está investigando os computadores de sua filial na China, pois acredita que a brecha foi obra de um hacker que estava infiltrado. A empresa está bloqueando a rede de vários funcionários, enquanto outros foram dispensados ou tiveram que tirar férias. Enquanto isso os computadores deles estão sendo vasculhados em busca de provas ou do malware responsável pela invasão.

 

O Google não acusou o governo Chinês de ser o autor destes ataques, mas o nível de sofisticação nestas ações indica que esta possibilidade é grande. O fato da empresa estar ameaçando encerrar suas atividades no país também dão uma dica do envolvimento governamental no ocorrido. O Google também cancelou o lançamento na China do Nexus, o novo celular da empresa, por tempo indeterminado.

 

google vs china

Esta não é a primeira e nem será a última vez que veremos um caso de espionagem industrial. O que impressiona e talvez seja o motivador das ações do Google é o envolvimento do governo em toda a ação. Outra motivação é que o código-fonte do mecanismo de buscas do Google é o bem mais valioso da empresa e algo que todos desejam. Se um ataque liderado pelo governo tem este alvo, o Google tem muito com que se preocupar.

 

Fontes: Cnet InSecurity Complex, Wired, ZDNet, Techtree, Google

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