Será que desta vez os games foram longe demais?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

modern warfare 2 capa Modern Warfare 2 foi um dos jogos mais esperados do ano e é um inegável sucesso de vendas. Mesmo tendo sido taxado para o público adulto ele é jogado pelos adolescentes. Se o original era uma das mais realistas representações de um campo de batalha moderno, ninguém esperava menos do novo.

 

O problema é que aparentemente a Infinity Ward (desenvolvedora do game) resolveu dar uma de Rockstar, responsável pela série GTA. Logo em seu início MW2 apresenta uma tela dizendo que o conteúdo a ser apresentado pode ser considerado “pesado” para algumas pessoas e que aquele pedaço do jogo pode ser suprimido. Logicamente o aviso serve como psicologia reversa e o jogador pensa que “a parte boa está ali”. A maior parte das pessoas irá jogar a missão por não querer perder a experiência completa do game, afinal ele se desenvolve como um filme e isso seria como perder uma parte dele.

 

O que se apresenta a seguir é uma missão onde o jogador é um agente da CIA que está a paisana como terrorista russo e o grupo que está sendo investigado vai realizar um atentado em um aeroporto de Moscou. Eles (e o seu personagem) abrem fogo contra uma multidão de civis e a cena é muito realista com pessoas gritando, correndo e agonizando. Você, como oficial a paisana, precisa manter o disfarce e entra na matança contra centenas de inocentes. Confira abaixo o trecho em questão.

 

 

A cena causou muito desconforto até mesmo entre os que apóiam os games violentos. Diferente da violência vista em GTA, que é até certo ponto cartunesca, aqui tudo é muito real, das armas à reação das vítimas. Isso levantou novamente a discussão de se os games violentos criam pequenos psicopatas.

 

Este pedaço específico do jogo não está presente nas versões de Modern Warfare 2 vendidas na Austrália e Alemanha, onde o jogo é ainda mais diferente. Nesta versão, sua missão é dada como encerrada se você mata um inocente, mesmo sem querer. A missão no aeroporto russo chegou a causar um boato (já desmentido) de que o game havia sido banido na Rússia, mas a Actvision (distribuidora do jogo) modificou as versões vendidas naquele país. Nos EUA a pessoa pode optar por comprá-lo sem esta missão ou baixar um patch impedindo sua exibição. Definitivamente é o game mais polêmico do ano.

 modern warfare 2 polemica

Sou das pessoas que não acreditam no argumento de que jogos violentos podem ser responsáveis por gerar indivíduos violentos no mundo real. Jogos eletrônicos fazem parte da minha vida desde a infância (ainda nos anos 80) e não é por isso que tenho problemas emocionais. Por outro lado não posso dizer que os games violentos não tiram das pessoas a sensibilidade para coisas como a morte ou o assassinato, mas o mesmo argumento serve para filmes violentos. Produções como Jogos Mortais e O Albergue também tiram a sensibilidade para a tortura e não existe um movimento tão grande contra eles quanto contra os games.

 

Me pergunto se desta vez, unindo ultra realismo a violência contra inocentes, os games não foram longe demais, perdendo até mesmo alguns de seus defensores. Antes de atacar ou defender MW2 eu preciso jogar sua campanha completa, mas desde já podemos levantar a questão de se os fins justificam os meios e se isso não influenciaria os jogadores a acharem que as vidas de algumas centenas realmente valem menos do que o objetivo de uma missão.

10 comentários:

Volca 18 de novembro de 2009 16:16  

Violência vende. Vê tb god of war. E sexo, claro. Então.

Raphael 18 de novembro de 2009 19:58  

lema não está nos jogos, mas sim em algumas mentes fracas por aí! Eu tenho o Modern Warfare 2, joguei essa parte do aeroporto e meti tiro em todo mundo, não quer dizer que eu va fazer a mesma coisa na vida real!!

Valeu, pelo site, é muito bom!

anarosa 20 de novembro de 2009 08:11  

viol~encia está no âmago das pessoas, não vai ser game q irá despertar isso nelas. Hitler, Stalin, Goebbels, Josef Mengele jogavam games? Nem TV existia naquela época, de onde tiraram tantas ideias para as atrocidades de cometeram?

Anônimo 20 de novembro de 2009 10:12  

"Claro que é apenas os jogos que criam pequenos psicopatas", e os pais que falam isso não estão nenhum pouco preucupado com o Bulling nas escolas.

Fabiana 20 de novembro de 2009 14:21  

Putz, do ponto de vista psicológico, isso é muito complicado.
Eu entendo que a maioria das pessoas que jogam tais games insistam que eles não os influenciam, mas a realidade apresentada por algumas pesquisas de comportamento humano é que elas nos influenciam, sim, e especialmente as crianças.
Posso dar dois exemplos.
Já assisti certa vez um documentário sobre desenvolvimento infantil da BBC em que mostravam a crianças de 5 anos a imagem de um homem acariciando um boneco. Colocadas junto ao mesmo boneco, a maioria das crianças repetiu a atitude do homem: acariciou o boneco. Em seguida, foi mostrado um vídeo do mesmo homem, dessa vez socando o boneco. Novamente, as crianças repetiram aquilo que haviam visto, mais fielmente, inclusive, que a atitude carinhosa. Em outras palavras: as crianças copiam comportamentos, e essa cópia é ainda mais eficiente caso o comportamento em questão seja violento.
Recentemente li um livro intitulado "a lógica do consumo". O autor é um dos maiores experts em maketing comportamental da atualidade. Nesse livro, ele evidencia um conceito base: a mimese de imagens. Seja qual for a atitude de uma pessoa que vemos em revistas, tv, rua etc., a tendencia é nos imaginarmos fazendo o mesmo. Quando vemos alguém se machucando, sentimos compaixão pois nos imaginamos na mesma situação. Estudos por ressonãncia magnética mostraram que as áreas ativadas nos cérebros tanto de alguém que participa de uma ação quando de alguém que apenas a observa são as mesmas. É por isso que os tão falados sapatos Crocs, que causaram estranheza num primeiro momento, foram rapidamente aceitos pelos consumidores. A mesma lógica funciona para a violencia. Cada vez que vemos um filme com assassinatos, jogamos jogos violentos, etc. isso nos influencia, embora inconscientemente. Conscientemente, temos a sensação de total controle sobre nossa mente, o que é completamnete irreal.

Anônimo 21 de novembro de 2009 07:21  

a cala a boca seu merda, frescão. blog de merda, inutil. a culpa da violencia é por causa de uns dementes q nem vc q so falam merda.

Beckett 21 de novembro de 2009 08:02  

Perfeita a conclusão. Realmente não creio q jogos violentos criem psicopatas ou assassinos. Mas a violência sendo bombardeada todos os dias realmente faz com que fiquemos menos sensíveis. God Of War, GTA, MW2 agora são jogos bem violentos (sendo q MW2 pode chocar mais devido ao realismo), porém jogar a culpa da violência crescente na sociedade em cimas deles é ir longe demais. Filmes, jornais também nos jogam cenas e notícias violentas o tempo todo, e nem por isso são criticados como os video-games (antes que falem q jornais apenas noticiam o que acontece, a minha crítica é que uma coisa eh noticiar, a outra é ir mostrar o corpo da pessoa no chão ou a poça de sangue que ficou).

A culpa da violência não é dos video-games, filmes e etc. Acredito que a violência infelizmente é intrínseca ao ser humano, e a sociedade é justamente um modo de tentar controlar esses impulsos.

Parabéns pelo blog e pela matéria. Mto boa!

Daniel 23 de novembro de 2009 20:18  

É impressão minha ou o jogo em questão tem uma faixa etária específica? Aquele grande "M" que tá na caixa... Só faltam dizer que a molecada cretina que pega o carro do papai e sai tirando racha na rua foi "influenciada" pelo Burnout Paradise ou Need for Speed. Se um moleque compra uma garrafa de vodka no bar da esquina a culpa não é Smirnoff... se o idiota fuma Hollywood a culpa não é da Souza Cruz. Nós temos que analisar bem a questão antes de criticar... daqui a pouco vão falar que a galera que vai pra São Tomé das Letras e toma chá de cogumelo é porque na infância jogava Super Mario! PS: Eu jogo CODMW2 e nunca matei ninguém. Nunca bati o carro. Eu bebo é Johnnie Walker e só fumo Marlboro... tá.... talvez o chá de cogumelo tenha sido influência do Super Mario sim...

Daniel 23 de novembro de 2009 20:20  

É impressão minha ou o jogo em questão tem uma faixa etária específica? Aquele grande "M" que tá na caixa... Só faltam dizer que a molecada cretina que pega o carro do papai e sai tirando racha na rua foi "influenciada" pelo Burnout Paradise ou Need for Speed. Se um moleque compra uma garrafa de vodka no bar da esquina a culpa não é da Smirnoff... se o idiota fuma Hollywood a culpa não é da Souza Cruz. Nós temos que analisar bem a questão antes de criticar... daqui a pouco vão falar que a galera que vai pra São Tomé das Letras e toma chá de cogumelo é porque na infância jogava Super Mario! PS: Eu jogo CODMW2 e nunca matei ninguém. Nunca bati o carro. Eu bebo é Johnnie Walker e só fumo Marlboro... tá.... talvez o chá de cogumelo tenha sido influência do Super Mario sim...

Anônimo 26 de novembro de 2009 00:17  

Gente que mata existem bem antes de inventarem o computador, e oq era o culpado na época? Jogo de damas?! o.O

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