A triste história do último eunuco da China

terça-feira, 24 de março de 2009

Sun Yaoting teve sua história relatada pelo historiador Jia Yinghua, que em anos de amizade obteve sua confiança e escreveu sua biografia, traduzida para o inglês esse ano. “O Último Eunuco da China – A Vida de Sun Yaoting” (The Last Eunuch of China-The Life of Sun Yaoting) aborda antigos tabus, como a vida sexual dos eunucos e o imperador que serviam, as terríveis castrações frequentemente feitas em casa e muitas vezes letais, e a incontinência e vergonha que vinham junto com a promessa de grande poder.

Durante séculos na China, os únicos homens fora da família imperial que tinham permissão para entrar nos aposentos privados da Cidade Proibida eram os castrados. Seus órgãos reprodutivos eram trocados pela esperança de acesso exclusivo ao imperador, o que fazia de alguns eunucos políticos influentes e ricos.

A família empobrecida de Sun o colocou neste caminho arriscado e doloroso, na esperança de que ele pudesse um dia vingar-se de um senhor de terras de sua vila que roubou suas terras e queimou a casa. Seu pai fez a castração na cama da casa de barro em que viviam, sem nenhum anestésico e apenas papel com óleo como bandagem. Uma pena de ganso foi inserida na uretra de Sun para não permitir que ficasse obstruída no processo de cicatrização. Ele ficou inconsciente por três dias e mal pôde mover-se por dois meses. Quando finalmente levantou-se da cama, descobriu que o imperador que almejava servir havia abdicado semanas antes.

O jovem ex-imperador permaneceu no palácio e Sun tornou-se um acompanhante da imperatriz. Mais uma vez tudo deu errado, com a família imperial expulsa da Cidade Proibida, acabando com séculos de tradição e com os sonhos de Sun.

“Ele foi castrado, então o imperador abdicou. Conseguiu chegar na Cidade Proibida, então o imperador foi expulso. O seguiu para o norte e o regime entrou em colapso. Ele sentiu que a vida fez uma piada às suas custas.”, declarou o autor do livro (foto com Sun em 1996).

Sun observou detalhes sobre cada aspecto da vida palaciana, além de segredos sobre a sexualidade e crueldade do imperador.

Muitos eunucos fugiram do palácio com tesouros, mas Sun levou suas memórias e um faro para a sobrevivência política que acabaram sendo melhores ferramentas para a sobrevivência aos anos de guerra civil e turbulência ideológica que se seguiram.

Apenas duas memórias trouxeram lágrimas aos seus olhos, já idoso: o dia em que o pai o castrou e o dia em que a família jogou fora o seu “tesouro”, sua genitália cortada que o teria feito um homem inteiro novamente após a morte.

O ultimo eunuco da China foi atormentado e empobrecido na juventude, punido na China revolucionária por seu papel de “escravo do imperador”, mas finalmente lhe foi dado valor, principalmente por ter vivido mais que seus pares, acabando por tornar-se uma espécie de relíquia única, uma parte da história viva. É uma trajetória trágica. Chegou a se tornar um oficial Comunista, e então alvo de radicais de esquerda antes de ser finalmente deixado em paz.

Morreu em 1996 em um antigo templo que havia se tornado seu lar.

Fonte: Reuters

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