
Tudo começou com a nota extremamente baixa que a UFBA recebeu para o curso de medicina no Enade (nota 2), isso colocou o mais antigo curso de medicina do país entre os 17 piores do país e por isso receberá fiscalização do Ministério da Educação. O problema foi quando perguntaram ao coordenador do curso, Antônio Natalino Dantas, o que ele achava disso tudo.
Em entrevista ao
G1 ele disse que "O QI dos alunos de medicina é baixo sim. Como vou dizer que eles têm QI alto se eles foram mal em uma prova que o resto do Brasil foi bem? Que eu saiba, não houve boicote à prova do Enade. Então eles [os alunos] mesmos se submeteram à vergonha nacional."
Em entrevista a rádio Bandnews FM ele ainda afirmou que as notas do Enade foram contaminadas pelos cotistas, pois isso afetou o Q.I. dos alunos do curso. Dantas diz que os cotistas são “pessoas de baixo rendimento escolar,” colocando também em dúvida os resultados positivos das primeiras turmas de cotistas, que foram acima da média. Ele disse que “a Ufba foi pioneira nas cotas e tem interesse em mostrar resultado. Isso pode ser mascarado. Por que não tem cotas para japonês e coreano? Porque eles passam nos primeiros lugares”.
Além disso ele insinuou que isso era uma coisa da genética, pois a imigração japonesa e italiana em estados como São Paulo havia melhorado a inteligência das pessoas destas localidades. Finalizando com a afirmação de que o Q.I. do baiano é menor mesmo.
Na entrevista ele disse que o berimbau possui apenas uma corda e por isso só dá uma nota (o que não é verdade), associando a isso o baixo grau de evolução dos baianos. "O baiano toca berimbau porque só tem uma corda. Se tivesse mais [cordas], não conseguiria," afirmou Dantas, que ainda completa dizendo que o berimbau “é um instrumento típico de quem tem poucos neurônios”. O professor ainda disse que o grupo Olodum só faz barulho e não tem nada de expressão cultural. Mas questionado se suas afirmações poderiam ser consideradas racistas ele afirma que não é racista, mas a cultura baiana é muito primitiva mesmo.
As reações formam de indignação por todos os lados. O governador do estado, Jaques Wagner, disse que o professor teve um "surto de imbecilidade." Ele ainda diz que o conceito de Q.I. é ultrapassado e cita baianos de sucesso na história como Ruy Barbosa, Castro Alves, Caetano Veloso, Glauber Rocha e Gilberto Gil. Wagner finaliza afirmando que Dantas as declarações de Dantas traduzem um preconceito profundo contra o povo baiano.
O reitor e o diretor do curso de medicina da UFBA emitiram uma nota oficial para tratar da baixa nota do curso no Enade e das declarações de Dantas. Primeiramente eles acreditam que esta nota se deve a um boicote dos alunos, mas se esta possibilidade se provar falsa ele fará um diagnóstico detalhado do curso para avaliar que rumos tomar.
Sobre Dantas o comunicado dizia que "o Coordenador do Colegiado de Graduação de medicina, professor Antonio Natalino Manta Dantas, divulgou na imprensa posições próprias, referentes aos motivos do baixo desempenho dos alunos na avaliação, que rejeitamos frontalmente. Nesse aspecto, cabe à Congregação da Faculdade de Medicina da Bahia da UFBA a imediata tomada de medidas acadêmicas e administrativas cabíveis."
Naomar Almeida Filho, reitor da UFBA, já solicitou à faculdade providências para afastar o professor do cargo de coordenador do curso de medicina, mas isso precisa ser avaliado pela congregação da faculdade.
Os alunos farão um ato público na segunda-feira de manhã, na frente da reitoria da universidade pedindo o afastamento do professor. Os parlamentares da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa apresentaram voto de repúdio ao fato. O senador Antônio Carlos Júnior ligou para o reitor da UFBA pedindo a demissão imediata de Dantas. Ele disse que o professor "foi racista e preconceituoso, se eximindo das responsabilidades do curso que ele coordena, do mau desempenho aferido durante o Enade.”

O presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, que é advogado e mestre em direito público afirmou que as declarações de Dantas são “um atentado à democracia e à comunidade negra,” comparando-o ao discurso de Hitler. “Quando assumiu o poder na Alemanha, nos anos de 1930, ele também atribuía o atraso do país ao baixo QI de negros, judeus, ciganos e homossexuais.” João Jorge vai entrar com um processo no Ministério Público contra Dantas, por crime de racismo e preconceito.
Mas o Ministério Público não precisou esperar por João Jorge, pois Antônio Natalino Manta Dantas já foi notificado de que foi iniciada uma apuração de suas declarações sobre a inferioridade intelectual do povo baiano e de algumas de suas manifestações culturais, além de outras. Ele terá dez dias úteis para prestar esclarecimentos. Ele poderá ser enquadrado na lei 7.716, conhecida como Lei do Racismo. O Artigo 20 prevê para quem “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” pena de reclusão de um a três anos, além de multa.
Em primeiro lugar acho que se ele acha que os baianos (ele é um) são tão ruins assim a primeira atitude dele deveria ser sair do Estado. Procurar um emprego em um universidade em outro Estado, ou melhor ainda na Europa. Declarar tamanhas besteiras como representante do mais antigo curso de medicina do país é inaceitável. Acho que o processo deve ser mantido e que ele precisa enfrentar as consequências de seus atos. O professor é um retrato do que deve ser mudado no ensino deste país. O preconceito começa ainda no ensino básico, mas pessoas como ele fazem com que este absurdo seja perpetuado.