Músicos não querem suas composições usadas para tortura

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Os Estados Unidos têm usado música alta contra os presos na Baía de Guantanamo, Iraque e Afeganistão. Músicos estão se mobilizando para exigir que os militares norte-americanos parem de usar suas canções como armas de tortura.

Em um centro de detenções no Iraque, a agressão sonora permanecia 20 horas por dia, durante meses. Incluía músicas do AC/DC, Queen e Pantera, por exemplo. Um prisioneiro, Donald Vance, contou ao Associated Press que em pouco tempo, pensava em cometer suicídio.

Para muitos detentos que cresceram no Afeganistão, onde a música era proibida pelas regras do Taliban, os interrogatórios marcam a primeira exposição aos ritmos fortes tocados em volume máximo.

A tática tem sido comum na “guerra contra o terror” dos EUA, com as forças militares usando sistematicamente a música alta em milhares de detentos. O Tenente-general Ricardo Sanchez, que era na época o comandante militar no Iraque, autorizou a ação em 14 de Setembro de 2003 para “criar medo, desorientar...e prolongar o choque da captura.”

Binyam Mohammed, hoje prisioneiro em Guantanamo, relatou ao seu advogado Clive Stafford Smith que homens mantidos na “prisão escura” da CIA, no Afeganistão, acabaram batendo suas cabeças na parede e gritando, por não conseguir suportar mais. Muitos perderam sua sanidade mental. A CIA “trabalhava” nas pessoas, incluindo Binyam, dia e noite nos meses em que esteve lá. Havia música alta de Eminem e Dr.Dre por 20 dias, sem parar, repetindo e repetindo.

A porta-voz do centro de detenção de Guantanamo, Comandante da Marinha Pauline Storum, não deu detalhes de quando e como a música tem sido usada na prisão, mas disse que não está sendo usada hoje. Ela não respondeu quando foi perguntado se seria usada no futuro.

Agentes do FBI alocados em Guantanamo reportaram numerosas ocasiões em que a música alta foi usada contra os detentos, dizendo que “essas táticas são comuns lá”. De acordo com um memorando do FBI, um interrogador em Guantanamo se gabava de que só precisava de 4 dias para “quebrar” alguém alternando 16 horas usando música e luzes com 4 horas de silêncio e escuridão.
Ruhal Ahmed, um inglês que foi capturado no Afeganistão e libertado por falta de acusações em 2004, descreve sessões terríveis em Guantamo. Com suas mãos acorrentadas aos pés, e essas correntes presas ao chão, ele ficava por períodos de até 2 dias em uma posição de agachamento doloroso. Ele descreve sua agonia, e como esta piorou quando a música foi introduzida, pois “antes você podia se concentrar em alguma outra coisa, tentar se forçar a focar-se em outras coisas da sua vida que fez antes e mandar a dor embora. Isso faz você sentir que está ficando louco”.

Uma campanha foi lançada recentemente reunindo grupos, incluindo o Massive Attack e músicos como Tom Morello (Rage Against the Machine, Audioslave e agora solo). Durante concertos e festivais serão pedidos alguns minutos de silêncio, disse Chloe Davies do grupo de advogados britânicos Reprieve, que representa dúzias de prisioneiros do centro de Guantanamo e está organizando a campanha.

Acho que poderia e deveria ser feito muito mais, incluindo os músicos moverem processos contra o governo americano, afinal o direito autoral é do músico e ele poderia desautorizar o uso da música.

Em entrevista que foi ao ar em 16 de Novembro, o Presidente eleito dos EUA Barack Obama disse que iria fechar o centro de detenção de Guantamo, além de reconstruir a “estatura moral da América no mundo”. Expressou-se ainda contra a tortura.

É acompanhar e ver para crer, muitas esperanças estão sendo depositadas no novo presidente dos EUA, mas obviamente mesmo que tenha boas intenções ele não governará sozinho, e são muitos os interesses e forças envolvidos na “guerra contra o terror”. Confira o vídeo de parte da entrevista ao programa 60 minutes abaixo.



Alguns cinemas no Brasil estão passando o documentário “Procedimento Operacional Padrão”, que conta a história de alguns casos de tortura que se tornaram famosos. Confira o trailer legendado abaixo.



Fonte: MSNBC

1 comentários:

Arthurius Maximus 13 de dezembro de 2008 01:10  

A tortura é um mal terrível. É compreensível que artistas não queiram suas obras vinculadas a ela. Mas isso é algo completamente impossível de se fiscalizar já que ninguém assume a tortura publicamente e nem como como e onde ela é feita.

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