Ledger É o Coringa?

domingo, 20 de julho de 2008

ledger_joker Sexta-feira fui assistir O Cavaleiro das Trevas, continuação de Batman Begins. Eu estava extremamente ansioso pela estréia, vi os trailers, acompanhei a extensa campanha de marketing viral (uma das melhores já feitas) e assisti os primeiros 5 minutos que estavam disponíveis na rede.

 

O filme é muito bom, distante do que tenho como adaptação de quadrinhos. Hellboy e Homem de Ferro são ótimos exemplos do que espero de um bom filme baseado em super-heróis. Este filme é muito próximo de bons filmes policiais, como o clássico moderno Fogo Contra Fogo. The Dark Knight é adulto, pesado e apesar de ter boas cenas de ação não sei se agradará muito os mais jovens. O filme mostra muita investigação, tribunais e pessoas como elas realmente são. Se você quer ver um bom filme pode apostar neste.

 

Dito isso chegamos ao ponto que todos discutem, Heath Ledger e sua performance como o vilão Coringa. A atuação dele está em um nível não alcançado em papéis anteriores. Acompanho a carreira dele desde um de seus primeiros filmes, 10 Coisas Que Eu Odeio em Você e neste tempo ele só parecia ser mais um destes jovens atores que são uma promessa mas ainda precisam de uma papel de verdade. Ledger já trabalhou com diretores consagrados e foi até mesmo indicado a um Oscar pela atuação em O Segredo de Brockeback Mountain. Mas nem mesmo neste papel ele está tão fora da sua própria pessoa como no filme do Batman.

 

O Coringa de Cavaleiro das Trevas é de longe o vilão mais perigoso que eu vi em um filme de super heróis. Ele mata, mutila e tortura sem demosntrar nenhum fio de remorso (a mágica feita por ele é ótima), além de querer passar uma mensagem. Ele é, como em certo ponto se autodenomina, um agente do caos. As histórias que ele conta sempre servem para a situação onde se encontra e este também torna o personagem mais misterioso. Ledger conseguiu passar tudo isso em detalhes que podem ser percebidos em sua atuação, merecendo nossa adimiração.

 

Mas, pelo menos para mim, este perigoso e maravilhoso vilão não É o Coringa. Na minha opinião este personagem é louco, mas de outra maneira. O Coringa acha tudo muito engraçado, ele têm um senso de humor que só pode ser entendido por ele mesmo. O Coringa não ri porque seria esperado ou não faz uma piada para ser cruel ou sombrio, ele faz isso para saciar seu bizarro senso do que é engraçado.

 

Nisso o Coringa apresentado por Jack Nicholson no filme de Tim Burton foi muito mais acertado. Uma cena que para mim ficou marcada como a assinatura do personagem foi quando ele eletrocuta um gangster (clique aqui para ver). No fim da cena, quando todo mundo vai embora o Coringa fica e faz uma piada para o morto, porque para ele tudo isso é muito engraçado. Já o Coringa de Ledger é mais aproximado de um terrorista, pois para ele tudo isso faz parte de um plano onde uma mensagem está sendo passada.

 

Tanto o filme de 1989, quanto o que estreou sexta-feira são grandes histórias, muito bem realizadas, mas eles são filmes diferentes, com temáticas diferentes e que precisam ser analisados em seus territórios.

 

bale_dark_knight Outra coisa que me deixou meio triste com isso foi que o filme ficou caracterizado como o filme de Heath Ledger, mas todo o elenco está fenomenal. Christian Bale está ótimo, pois você pode sentir o peso de ser o Batman nas costas dele. Wayne quer parar, ele quer deixar a capa para trás. Se você notar ele está mais magro do que no primeiro filme e sempre com uma expressão um pouco deprimida. Acredito que ele como Batman tenha sido menos impactante do que outras atuações no filme porque ele está no papel pela segunda vez. Aaron Eckhart está ótimo como Harvey Dent, pois antes mesmo da transformação você identifica como o Duas Caras vai surgir, não é apenas o fato de ter perdido o rosto.

 

Confira o filme nos cinemas, assista novamente o filme de Tim Burton e tire suas próprias conclusões, pois para mim O Cavaleiro das Trevas é um dos grandes filmes lançados este ano.

5 comentários:

Marcio Melo 20 de julho de 2008 12:16  

Man o filme é sensacional e vocÊ explorou muito bem atuação, nuances e diferenças destes dois Coringas.

Parabéns!

Leandro Santiago 20 de julho de 2008 20:43  

Boa análise a sua.
A questão é: como ficará o Coringa nos próximos filmes do Batman? Como você disse, o Ledger encarnou o próprio coringa como nunca antes feito. Mudar de ator? Acabo de vir do cinema - porque no domingo o cinema é mais caro :-) - e achei horrível a substituição da Rachel.

Cíntia 21 de julho de 2008 12:07  

A minha opinião é que o Coringa de Heath é o coringa mais próximo dos quadrinhos já feito (pelo menos das histórias clássicas). Bem, com certeza, o humor desse coringa é completamente negro, bem mais negro que o da revistinha, e ele não usa as armas com bang, ou venenos que matam as pessoas sorrindo, mas talvez o fato dele dizer vamos colocar um sorriso no seu rosto, uma analogia a esses venenos. Mas o do quadrinho é tão perigoso quanto o do filme.
Vamos as fontes, em louco amor, o Coringa conquista a Arlequina, contando uma história triste sobre o seu pai, e ligando a isso o fato dele ter virado coringa, e depois o Batman, diz a ela que o coringa tem várias versões para o seu surgimento e sempre são histórias comoventes, como no filme.
Em a piada mortal, o Coringa, queria provar um ponto, passar uma mensagem, a de que todos poderiam ficar louco como ele. E atira em Barbara Gordon e sequestra o seu pai o comissário Gordon, tentando enlouquecer o velho ( no filme, creio que o alvo dele foi o Harvey Dent).
Em o homem que ri, o Coringa aparece na televisão várias vezes e provoca pânico em Gotham ao anunciar que vai matar determinados cidadãos, e ele faz isso no filme não? E ele explode a porta de um asilo para criminosos, bem parecido com o que ele faz com a delegacia. Outro detalhe são os comparsas que ele atrai nessa história como no filmes, muitos são saídos de hospícios.
Em asilo arkam, ele é completamente cruel, e o seu senso de humor leve, não está presente como no filme.
Sem contar que as discussão sobre loucura e a sociedade de Gotham entre o Batman e o Coringa são sempre comum nas revistas inclusive nas que eu citei acima, e no filme há essas discussões.Bem então na minha opinião, o Coringa do Heath é o verdadeiro Coringa, sim.

Luis Santos 21 de julho de 2008 22:12  

Aloha Dmitri!
LF escrevendo.
O(s) filme(s) do Burton é(são) infantil(is).
Jack É fantástico, mas o roteiro não permite explorar o potencial do Coringa.
Neste é possível imaginar uma pessoa semelhante. Mentiroso. Manipulador. Insano (no bom sentido). Convenhamos, aquela mágica foi IMPRESSIONANTE!!!
As palmas para o Gordon, os comentários sobre o métod ode interrogatório, a leitura que ele faz do Batman, o "sorriso" ao já saber qual seria a escolha de resgate... GENIAL!
Tudo planejado. A paixão pelo caos, o "desprezo" pela ordem.
Tudo o que sei é que vou COMPRAR o dvd quando estiver disponível, vou tentar rever no cinema, e todas as noites vou agradecer aos céus, Deus, anjos, santos e astronautas pela chance de ter visto o filme!
Acho que fui claro, ou não? :)
Aloha!

Dmitry 22 de julho de 2008 13:09  

Nestes pontos citados por você Cíntia, o roteiro de Jonathan Nolan é muito preciso. Ele mesmo disse em entrevista que releu um número imenso de revistas para tirar pontos chave no filme. Outra coisa que colaborou foi a participação de David Goyer, roteirista do primeiro e de diversos filmes baseados em quadrinhos.

Mas meu ponto é exatamente na intensidade de Ledger. Ela é perfeita para o vilão que eles queriam, além do próprio ator ter afirmado querer se distanciar do personagem de Nicholson.

Ambas são atuações fortes e que merecem nossa adimiração.

Tenho que concordar com LF que todos os atores do elenco principal estavam divinos. Eles estão realmente dentro dos detalhes de seus personagens.

p.s: Também pretendo comprar o filme assim que sair em DVD.

Related Posts with Thumbnails

  © Free Blogger Templates Columnus by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP  

Google+